top of page

Imóvel irregular na hora da venda: como isso afeta o preço, o financiamento e a negociação

  • há 4 dias
  • 7 min de leitura

Você decidiu vender o imóvel. A documentação parece em ordem: há escritura, IPTU em dia e nada de dívidas. Mas quando o comprador vai ao banco solicitar o financiamento, vem a notícia: a construção não está averbada na matrícula. Ou a área construída no registro é diferente da área real. Ou existe uma ampliação feita há dez anos que nunca foi aprovada.

Nesse momento, o que parecia um detalhe burocrático vira um problema concreto: negociação travada, prazo perdido, valor reduzido ou venda desfeita.


Irregularidade em imóvel não é raridade. Estima-se que uma parcela expressiva das construções residenciais em São Paulo apresente algum tipo de divergência entre o que foi construído e o que consta nos registros oficiais. E o impacto financeiro disso é maior do que a maioria dos proprietários imagina, especialmente na hora mais importante: a venda.

 

O que caracteriza um imóvel irregular


Antes de entender o impacto, é preciso saber exatamente o que torna um imóvel irregular. A irregularidade não está necessariamente na escritura. Um imóvel pode ter escritura registrada e ainda assim estar em situação irregular do ponto de vista urbanístico ou construtivo.


Os casos mais comuns envolvem:

•      Ampliações ou reformas feitas sem projeto aprovado pela Prefeitura

•      Divergência entre a área construída real e a área averbada na matrícula do imóvel

•      Construção executada de forma diferente do projeto originalmente aprovado

•      Obra concluída sem emissão do Habite-se ou do Certificado de Conclusão de Obra

•      Ausência de regularização do INSS de obra (CNO não encerrado, CND não emitida)

•      Edificação nunca aprovada formalmente pela Prefeitura, mesmo que antiga


Em todos esses casos, o imóvel pode estar sendo utilizado normalmente, pagar IPTU regularmente e até ser negociado informalmente. Mas no momento em que a operação exige verificação técnica e documental formal, as irregularidades aparecem.

 

Como a irregularidade afeta o preço de venda


O impacto mais imediato é sobre o valor negociado. Um comprador bem assessorado, ou com um bom corretor, vai identificar as irregularidades antes de fechar negócio. E quando isso acontece, a negociação muda de patamar.


  • O desconto como condição para fechar


Quando o comprador descobre uma irregularidade, ele tem duas opções: desistir ou pedir desconto. Na maioria dos casos, especialmente quando o imóvel atende às necessidades dele, o caminho é negociar. Mas a base de negociação muda completamente.

O comprador vai calcular quanto vai custar regularizar o imóvel (honorários técnicos, taxas de prefeitura, INSS de obra, custos cartoriais) e vai exigir esse valor como desconto. Mais do que isso: vai acrescentar um prêmio pelo risco de o processo encontrar obstáculos no meio do caminho. O desconto raramente é proporcional ao custo real da regularização. Costuma ser maior.


Na prática: Um imóvel avaliado em R$ 600 mil com uma ampliação irregular pode ser negociado por R$ 520 mil ou menos, mesmo que o custo real da regularização seja de R$ 25 mil. O comprador não está pagando só pelo custo: está pagando pelo incômodo e pelo risco.

 

  • A perda de compradores qualificados


Além do desconto, há outro efeito menos visível: a perda de compradores que simplesmente não querem se envolver com imóvel irregular. Compradores que dependem de financiamento bancário, por exemplo, muitas vezes não têm outra opção, o banco rejeita o imóvel e eles saem da negociação.

Isso reduz o universo de potenciais compradores, diminui a concorrência entre interessados e, consequentemente, reduz o poder de barganha do vendedor. O resultado: tempo maior de imóvel no mercado e preço final menor.

 

O papel do financiamento e por que o banco rejeita


Boa parte das transações imobiliárias no Brasil é feita com financiamento bancário. E os bancos, em especial a Caixa Econômica Federal, responsável pela maior parte dos financiamentos habitacionais do país, têm critérios técnicos rigorosos para aprovar um imóvel como garantia de crédito.


  • O que o banco verifica


Quando um comprador solicita financiamento, o banco envia um engenheiro de avaliação ao imóvel. Esse profissional não faz apenas uma vistoria superficial, ele verifica:

•      Se a área construída bate com a área averbada na matrícula

•      Se existe Habite-se ou Certificado de Conclusão de Obra

•      Se o imóvel tem regularidade fiscal (CND de obra)

•      Se há obras ou ampliações visíveis não constantes na documentação

•      Se o padrão construtivo condiz com o que está registrado


Qualquer divergência significativa pode resultar em laudo negativo e o financiamento não é aprovado.


  • O que acontece quando o laudo é negativo


Quando o banco reprova o imóvel, o comprador perde o financiamento para aquela operação específica. Ele pode tentar outro banco, mas os critérios são semelhantes. Na prática, o imóvel fica restrito a compradores com capacidade de pagamento à vista, um universo muito menor.


Atenção: Mesmo em financiamentos de menor valor ou em linhas voltadas para imóveis de menor padrão, os bancos verificam a regularidade construtiva. Não há exceção para imóveis irregulares — o laudo negativo bloqueia a operação independentemente do valor financiado.

 

  • O caso da Caixa Econômica Federal e do SIOPI


Para empreendimentos financiados pela Caixa dentro do sistema SIOPI que inclui financiamento à produção para construtoras e incorporadoras, a análise é ainda mais aprofundada. A Caixa verifica a regularidade urbanística, a situação junto à Prefeitura, o INSS de obra e a documentação técnica do empreendimento antes de liberar qualquer recurso.

Construtoras e incorporadoras que chegam a essa etapa com pendências enfrentam paralisação do fluxo financeiro, o que pode inviabilizar a continuidade da obra.

 

O efeito na negociação: quem tem a vantagem


Uma venda imobiliária é, antes de tudo, uma negociação. E em toda negociação, quem tem menos a perder tem mais poder. A irregularidade do imóvel inverte essa equação de forma significativa.


  • O vendedor perde posição de barganha


Quando o comprador descobre a irregularidade, ele passa a ter uma vantagem concreta: pode desistir do negócio sem perder nada significativo. O vendedor, por outro lado, já investiu tempo, expectativa e às vezes até custos com corretagem. Essa assimetria favorece o comprador na negociação de preço, prazo e condições.


  • A responsabilidade pós-venda


Há outro risco que poucos proprietários consideram: a responsabilidade por não informar a irregularidade ao comprador. Em alguns casos, a omissão pode ser caracterizada como vício oculto ou até má-fé, abrindo espaço para questionamentos jurídicos após a venda. Regularizar antes de vender elimina esse risco completamente.


  • Prazo de venda significativamente maior


Imóveis com pendências documentais levam mais tempo para ser vendidos. O processo de due diligence do comprador (e do banco) é mais longo, as exigências são maiores, e a incerteza sobre o desfecho faz com que muitos compradores desistam antes de fechar. O resultado prático é um imóvel que fica mais tempo no mercado, com todos os custos que isso implica: IPTU, condomínio, oportunidade perdida.

 

Regularizar antes de vender: a conta que quase sempre fecha


Diante desse cenário, a pergunta prática é: vale a pena regularizar antes de colocar o imóvel à venda?

Na maioria dos casos, a resposta é sim, e a conta é mais simples do que parece.


Exemplo real: Imóvel com valor de mercado de R$ 500 mil, ampliação de 40 m² sem aprovação. Custo estimado de regularização: R$ 18 mil a R$ 30 mil. Desconto médio exigido por compradores cientes da irregularidade: R$ 60 mil a R$ 80 mil. A regularização prévia representa uma diferença líquida de R$ 30 mil a R$ 60 mil no bolso do vendedor além de eliminar o risco de a venda não acontecer.

 

Além do retorno financeiro direto, regularizar antes de vender traz outros benefícios:

•      Elimina a possibilidade de o banco reprovar o imóvel no laudo de avaliação

•      Amplia o universo de compradores (inclusive os que dependem de financiamento)

•      Reduz o tempo de venda: imóvel regular fecha mais rápido

•      Elimina riscos jurídicos pós-venda relacionados a omissão de irregularidades

•      Permite negociar pelo valor real de mercado, sem desconto por pendência

 

O que fazer agora: passo a passo para regularizar antes de vender


Se você está pensando em vender, ou já tem o imóvel à venda, o primeiro passo é entender exatamente qual é a situação atual do imóvel. Não basta ter escritura e IPTU em dia.


1. Verifique a matrícula do imóvel

Solicite a matrícula atualizada no Cartório de Registro de Imóveis e confira se a área averbada corresponde à área real construída. Qualquer diferença é um sinal de alerta.


2. Consulte o cadastro na Prefeitura

Verifique o que consta no cadastro municipal (IPTU) em relação à área construída e ao uso do imóvel. Divergências entre o cadastro e a matrícula são comuns e precisam ser tratadas.


3. Identifique se há obras sem aprovação

Ampliações, reformas, construções em área de recuo, coberturas convertidas em cômodos, qualquer modificação não aprovada formalmente é uma irregularidade construtiva. Identifique o que foi feito e quando.


4. Avalie a viabilidade de regularização

Nem toda irregularidade tem o mesmo caminho de solução. Algumas podem ser regularizadas pelo processo convencional de aprovação de projeto. Outras, especialmente obras antigas executadas antes de 31/07/2014, podem ser enquadradas na Lei de Anistia (Lei nº 17.202/2019), que tem prazo até 30 de abril de 2026.


5. Procure assessoria técnica especializada

A regularização envolve análise técnica e legal, elaboração de projeto, protocolo na Prefeitura, regularização do INSS de obra e atualização da matrícula no Cartório. É um processo que exige profissional habilitado e que, quando bem conduzido, traz resultado concreto.

 

A JM Arquitetura e Licenciamento pode ajudar


Com mais de 9 anos de atuação e mais de 500.000 m² de projetos aprovados em São Paulo, a JM Arquitetura e Licenciamento oferece análise técnica completa da situação do seu imóvel antes de você colocá-lo à venda.

Avaliamos a viabilidade de regularização, identificamos o melhor caminho técnico e conduzimos todo o processo, da análise inicial à atualização da matrícula no Cartório.


 


Sobre a JM Arquitetura e Licenciamento


Especializada em licenciamento, regularização de imóveis e aprovação de projetos em São Paulo. Atuamos com rigor técnico no Estudo de Viabilidade (EVTL), Projeto Legal, Anistia SP, INSS de Obra e Assessoria CAIXA/SIOPI.


Transformando a burocracia do licenciamento em soluções concretas para proprietários, construtoras e incorporadoras.

 
 
 

Comentários


©2017 by JM Arquitetura e Licenciamento.

bottom of page